{Resenha} Proibido

segunda-feira, 8 de maio de 2017

{Resenha} Proibido
Sinopse
“Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis. Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes. Eles são irmão e irmã.”
O Que Achei
É muito difícil pra mim estar aqui agora fazendo essa resenha, por vários motivos. Esse é um dos meus livros preferidos, é o meu “Uma Aflição Imperial”*, eu não queria ter que dividi-lo com ninguém, e até confesso ter ficado um pouco nervosa cquando soube que ele seria lançado no Brasil. Egoísmo? Talvez. Por isso me propus a passar por cima disso e escrever essa resenha. Ele é um livro lindo e sensível, mas extremamente polêmico, e é esse o outro motivo que me fez ponderar muito antes de recomendá-lo. Nem todos vão entendê-lo, muitos vão julgá-lo, mas o pior, eu tenho medo que ele se torne só mais um livro, uma modinha e perca sua profundidade e seu real significado. Mas não vamos ficar aqui na lamentação.

A Editora Valentina teve muita coragem ao trazer esse livro pro Brasil, porque, pra quem não sabe, ele trata de incesto. Dois irmãos que se apaixonam, dois irmãos, criados na mesma casa, com uma vida atribulada e que se amam mais que tudo, que se apoiam um no outro, que são mais que tudo uma família. Desde novos, Lochan e Maya, cuidam de seus irmãos pequenos, como um pai e uma mãe, tendo que conciliar escola, o abandono do pai, uma mãe ausente e promíscua e o medo de terem os irmãos tomados pela assistente social.
“No fim das contas, é o quanto você pode suportar, o quanto pode resistir. Juntos, não fazemos mal a ninguém; separados, nós definhamos.” -Maya
Lochan e Maya tem apenas um ano de diferença de idade, e é perto de ambos completarem a maioridade que eles percebem os sentimentos um pelo outro, sentimentos que foram crescendo, se transformando e consolidando. Resultado de uma vida de parceria e dedicação. E eu só posso dizer que, provavelmente, apesar de tudo o que a sociedade nos ensina, você vai torcer por eles. Eles têm um amor profundo pelos irmãos, como se fossem seus pais, e fazem tudo o que podem para manter a casa em ordem, os irmãos alimentados, estudando e mais importante: felizes. E não é isso que importa na vida?

No livro, o maior problema enfrentado por eles não é o preconceito da sociedade, não é a falta de aceitação social, é a própria consciência. Eles sabem o que passariam se todos soubessem, o que aconteceria aos irmãos, eles lutam contra esse sentimento por acreditarem que é errado, mas “Como uma coisa tão errada, pode parecer tão certa?”Lochan e Maya têm total consciência de suas ações, de todos os riscos envolvidos em uma relação como essa. Eles vivem o amor e a felicidade em pequenos fragmentos, escondidos, quando podem, depois de muito lutarem contra si. Aceitar o amor foi extremamente difícil, mas libertador para eles. É como se a vida tivesse pregado uma peça e colocado Romeu e Julieta na mesma família.
“Não há leis nem limites para os sentimentos. Nós podemos amar um ao outro tanto e tão profundamente quanto queremos. Ninguém Maya, ninguém vai tirar isso de nós.” -Lochan
E eu considero esse um assunto tão mais profundo do que apenas distúrbio de comportamento, abuso ou “pecado”. Porque julgar ou proibir uma escolha, um relacionamento consensual, se este não faz mal a ninguém? Porque o amor tem que ter barreiras? Não é contra isso que lutamos todos os dias em se tratando de relacionamentos inter-raciais e homossexuais? Não é contra esse julgamento? Se nenhum dos dois é forçado a isso, se ambos têm consciência de seus atos, não passaram por traumas ou situações extremas que os fizeram obrigados a se relacionar, têm idade e maturidade pra escolher, porque tacar pedras?

Claro, não devemos também deixar de lado as sequelas que uma criação como a deles pode causar. Uma mãe ausente, irmãos mais novos pra cuidar, a responsabilidade que vem cedo demais.Temos também o assunto da depressão e da falta de convívio social, assim como a dificuldade de se relacionar com quem é de fora. O quanto isso faz parte da personalidade de alguém e não é algo que foi acarretado por uma determinada situação familiar etc? São tantos assuntos delicados envolvidos nesse livro, mas que são tratados de forma tão cuidadosa e real pela autora, que nos deixa sempre muito pensativos. O livro traz uma sensação de solidão e uma tristeza que fica entranhada, ali, o tempo todo, mas vale cada segundo, cada momento.

Tabitha Suzuma construiu uma trama tão bem elaborada, com diálogos tão sensíveis e reais, um mix de mistério, mágoa, força, caráter, medo e coragem, que não tem como não se pegar refletindo sobre o assunto. O livro não é pra quem não tem a mente aberta, o livro não é pros preconceituosos, ele não é pra qualquer um. Deixo isso claro, para não virem depois reclamar do peso dessa história. É um livro que contém sensualidade, polêmica e sensibilidade. Mas, claro, eu sou uma pessoa de mente aberta, nem todos pensarão como eu. Só acho que você pode não gostar da escolha de alguém, porém caberia a você aceitar e respeitar o que não lhe diz respeito.
"É… um sentimento tão imenso que às vezes acho que vai me engolir." -Lochan
Pra quem gosta do assunto ou acha que pode abrir o coração e a mente para essa história, eu mais que recomendo! Não é um dos meus livros favoritos por nada. Eu li ele em inglês e, inclusive, possuo em hardcover e não me arrependo da fortuna que gastei..hahaha... Minha única ressalva é com o final, uma opinião totalmente pessoal de "eu queria que pudesse ser diferente". Porém, foi extremamente real e poderoso. A escolha da Tabitha foi fundamental nesse quesito inclusive para o sucesso da obra.


Nota
Sentimento
Notacórnio

Nanda

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4 comentários:

  1. Em tempos que Game of Thrones "está popular" e a sociedade, aparentemente, começou a olhar a ficção com outros olhos, Jayme e Cersei já derrubaram uma barreira, outros devem se aproveitar e explorar as ideias narrativas que tiverem.

    Parabéns por ter derrubado a barreira que te impedia de falar sobre o livro.

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    Respostas
    1. Muito obrigada! É um livro com um assunto muito delicado, dá medo de falar, dá medo de ser julgado, dá medo de compartilhar os sentimentos, medo do julgamento dos outros sobre a história. E é um livro que traz sentimentos muito conflitantes. Certo, errado, eu deveria julgar? Eu tenho esse direito? Onde está a linha que delineia esses limites?
      E concordo, aproveitar essas ideias seria uma fonte inesgotável de polêmica, o que acaba trazendo ibope né?
      Obrigada pela opinião :D

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  2. Que livro mais polêmico, nem sei o que dizer, mas quero muito ler. Apesar de termos Game of Thrones, eles não são os protagonistas e apesar de ter o ponto de vista deles o assunto em si não é aprofundado dessa maneira.

    Bites!
    Tary Belmont

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    1. Sim! É bem polêmico, bem triste, sofrido, mas vale a pena viu?
      Obrigada por passar por aqui.
      Beijitos

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