{Resenha} Outro Dia

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Outro Dia

Sinopse

"Neste livro, a história de "Todo Dia" é mostrada sob o ponto de vista de Rhiannon. A jovem, presa em um relacionamento abusivo, conhece A, por quem se apaixona. Só que A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Mas embarcar nessa paixão também traz desafios para Rhiannon. Todos eles mostrados aqui."
O Que Achei
A resenha de hoje é diretamente relacionada à minha última resenha, do livro Todo Dia, que você pode encontrar completa aqui (o que eu recomendo muito que você faça rsrs). Caso não queira ler a resenha completa, vou resumir um pouquinho para vocês entenderem melhor a história de Outro Dia.

O primeiro livro, Todo Dia, conta a história de “A,” uma pessoa que na verdade habita o corpo de outras pessoas por um dia, sempre mudando de corpo, independente do gênero, etnia, classe social e qualquer outro fator além de uma limitação de distância e idade, sobre a qual ele não tem nenhum controle. Quando "A" acorda no corpo da pessoa que vai hospedá-lo por um dia, ele acessa as lembranças dessa pessoa e tenta viver esse dia causando o mínimo de interferência possível. Mas isso muda no dia em que ele acorda no corpo de Justin, que namora a Rhiannon, mas não a trata muito bem. “A” logo se interessa por aquela menina que parece tão perdida e triste e acaba proporcionando um dia maravilhoso para ela, quebrando sua regra de não interferir e também se apaixonando por ela. Mas ele então muda de corpo, é claro, e acompanhamos sua saga para encontrar e ficar com a pessoa que ama, apesar de todas as dificuldades.


Outro Dia


Vamos então para Outro Dia, que é basicamente a mesma história do primeiro livro, mas contada pela visão da Rhiannon. Digo logo que, apesar da minha empolgação para o lançamento desse livro, eu não esperava gostar tanto, pois a personagem não me era tão querida assim, me proporcionando grandes doses de raiva durante a leitura de Todo Dia. Mas, é claro, me surpreendi positivamente, pois Outro Dia se mostrou tão maravilhoso quanto, e me fez enxergar ainda mais detalhes na história que eu não esperava encontrar.
“Todos nós precisamos de um lugar para depositar nosso amor.”
O primeiro detalhe que precisa ser discutido é a forma como a Rhiannon vê seu relacionamento com o Justin. A relação é claramente abusiva, mas ela, como praticamente toda vítima de abuso, não percebe isso, ou, quando percebe, não vê uma forma de escapar, porque sempre acredita na redenção do abusador. Acho importantíssimo a abordagem desse assunto, especialmente em livros juvenis, pois ainda é algo pouco discutido, e que afeta muitas pessoas. E claro que a visão da Rhiannon deixa tudo muito mais claro nesse sentido do que o ponto de vista de “A” que vemos em Todo Dia.
“Ele não me bate nem me maltrata. E não me trai. Dá pra você se ouvir? Se esses são seus padrões: Ei, ele não me deu um soco, então deve estar tudo bem!, isso me assusta! E me faz pensar que, em algum momento, você usou essas justificativas. Ah, está muito ruim agora, e ele tem sido um horror…mas, pelo menos, não está me batendo. Tenha um pouco de respeito por você mesma, está bem?”
Outro ponto interessante é a visão da Rhiannon sobre a questão do gênero (ou a fluidez dele) de “A”. Como grande defensora da igualdade e do amor livre, realmente me aborrecia no primeiro livro todas as passagens em que ela não aceitava bem o fato de “A” muitas vezes estar no corpo de uma mulher. Mas lendo sua visão dos fatos consegui ter mais empatia, pois realmente não somos criados para ignorar a distinção de gêneros, muito pelo contrário. É possível perceber que ela se esforça pra aceitar “A” pelo que ele é, mas isso não é uma coisa fácil, pois não é o “natural” pra ela e nem pra ninguém. Que mundo ideal este seria, se não existissem tantas barreiras entre as pessoas, mas o livro deixa claro que existem sim, e que todos nós vivemos uma luta diária para superá-las.
“As palavras são uma parte do problema. O fato de existirem palavras diferentes para ele e ela, dele e dela. Eu nunca tinha pensado nisso antes, em como isso é segregatório. Talvez se houvesse um único pronome para todos nós, não ficaríamos tão presos a essa diferença.”
Por fim, o livro me emocionou tanto quanto Todo Dia, mesmo já conhecendo a história apresentada, e vale a pena ser lido e guardado naquele cantinho especial da estante (e do coração). A narrativa é fluida e poética, e muito bem amarrada com o primeiro livro. Ah, e o final reserva uma surpresa, mesmo para quem leu Todo Dia, e uma pontinha de esperança de que a história de Rhiannon e “A” ainda não tenha acabado (pfvr David Levithan, nunca te pedi nada! rsrs). Enfim, leiam e se apaixonem, como eu, e venham me contar o que acharam.


Nota
Sentimento
Notacórnio

Paula

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