{Resenha} Todo Dia

segunda-feira, 27 de março de 2017

Todo Dia

Sinopse
""A" acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, "A" precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, "A" já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrarem a cada 24 horas, "A" e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor."
O Que Achei
Todo Dia tem um protagonista diferente de tudo que você já viu. “A” não possui um corpo próprio, então acorda todo dia em um corpo diferente. Após 16 anos vivendo assim, ele já conhece certas regras dessa sua vida peculiar: a idade do “hospedeiro” é sempre a mesma que a sua, mas não existe restrição de gênero ou personalidade. Ao acordar, “A” precisa se adaptar ao novo corpo, através de todas as memórias que o mesmo possui, e então viver uma vida diferente por um dia, dormir e acordar em um novo corpo.
“Não sei como isso funciona, nem o porquê. Parei de tentar entender há muito tempo. Nunca vou compreender, não mais do que qualquer pessoa normal entenderá a própria existência. Depois de algum tempo é preciso aceitar o fato de que você simplesmente existe.”

Todo Dia

Durante essa sua estranha vida, “A” também criou suas próprias regras: não se envolver, nem interferir. Essa é sua forma de causar o mínimo impacto em outras vidas, e também se resguardar do sofrimento ao partir. Embora pareça uma vida muito complicada e triste, “A” não está preso às amarras da sociedade, então de certa forma é mais livre que qualquer pessoa no mundo poderia ser. O que também é um pouco assustador, se pararmos pra pensar.
“Sou um andarilho e, por mais solitário que isso possa ser, também é uma tremenda libertação. Nunca vou me definir sob os mesmos critérios das outras pessoas. Nunca vou sentir a pressão dos amigos ou o fardo das expectativas dos pais. Posso considerar todo mundo parte de um todo e me considerar no todo, não nas partes.”

Cada capítulo é estruturado em um dia da vida de “A”, e logo no primeiro acompanhamos o protagonista no corpo de Justin, um adolescente meio rebelde e egoísta. Seguindo sua política de não interferência, “A” vai para a escola e conhece Rhiannon, namorada de Justin. Sendo a maior parte do tempo desprezada pelo namorado, essa garota logo chama a atenção de “A”, que quebra suas regras de não interferência, e altera a rotina de Justin para passar um dia inesquecível com Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas regras caem por terra, e nos envolvemos igualmente na angustiante vida de “A” e sua luta para reencontrar Rhiannon a cada 24h em um corpo diferente. E essa situação complicada fará com que os dois, em especial a garota, questionem muitas das concepções que tem sobre o amor e a vida.

“Que história é essa sobre o instante em que você se apaixona? Como uma medida de tempo tão pequena pode conter algo tão grande?”

É muito difícil falar desse livro sem dar spoilers, mas o que posso dizer é que os questionamentos dos personagens são tão intensos e verdadeiros, que eu me vi questionando minhas próprias ideias durante a leitura. É importante ressaltar que a mudança de corpo de “A” ocorre independente do gênero, e apesar de referir a si mesmo no masculino durante o livro, “A” não se considera parte de um gênero específico. E uma das coisas mais bonitas que podemos observar ao longo do livro é como o amor não precisa de rótulos para ser verdadeiro e único. Mas também podemos ver que os conceitos impostos pela sociedade são tão arraigados que pode ser necessário lutar contra a própria personalidade para aceitar isso.

“Uma coisa é se apaixonar. Outra é sentir alguém se apaixonando por você, e sentir-se responsável por esse amor.”

Uma das coisas mais interessantes do livro é a diversidade enorme das pessoas que servem de “hospedeiro” para o “A” durante a história. Personalidades distintas, problemas familiares, orientação sexual, problemas com droga, doenças… E como o “A” absorve as lembranças dessas pessoas, e muitas vezes internaliza algumas de suas características, os relatos são extremamente verdadeiros e contundentes. Desde uma pessoa com ressaca, até um quadro grave de depressão, “A” passa por inúmeras situações que nos fazem refletir.

“Algumas pessoas acreditam que doenças mentais são uma questão de humor, um problema de personalidade. Acham que a depressão é simplesmente uma forma de tristeza, que o TOC é uma forma de repressão. Acham que a alma está doente, não o corpo. Acreditam que se trata de algo sobre o qual você tem alguma escolha. Eu sei o quanto isto é errado.”

A edição brasileira é muito bonita e bem acabada, com a capa original, folhas de papel pólen que tornam a leitura mais agradável e sem grandes erros na tradução e revisão. Leitura mais que recomendada, sendo um dos meus livros favoritos da vida. Quero muito conversar com pessoas que já tenham lido, então comente se você já passou por essa experiência transformadora.


Nota
Sentimento




Notacórnio
Paula

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