{Resenha} A Rebelde do Deserto

segunda-feira, 6 de março de 2017


"O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir."
Com uma narrativa empolgante e um ritmo excelente, A Rebelde do Deserto conta com um dos meus principais requisitos para amar um livro: uma protagonista forte, decidida, e que faz de tudo para alcançar seus objetivos. Amani cresceu em meio à adversidade, física e psicológica, mas isso não a impediu de sonhar e lutar por uma vida melhor, escapando da opressão do tio que a quer submissa em um casamento forçado.


O universo e mitologia criados pela autora, com inspiração árabe, foram bem ricos e bem trabalhados, assim como os personagens, incluindo os secundários. Amani e Jin, nossos protagonistas, compõe um dos meus casais favoritos dos últimos tempos, mas o interessante é que a história não foca de forma exagerada nesse romance, como em muitos livros jovem adulto, e sim no desejo de liberdade de Amani e de todo o povo de Miraji. O romance dos dois não é instantâneo, e aos poucos a confiança e carinho que sentem um pelo outro vai crescendo, o que tornou as cenas românticas ainda mais especiais e de tirar o fôlego para mim, devo dizer. 
"Você é este país, Amani. - ele disse, mais baixo agora. - Mais viva do que qualquer coisa deveria ser neste lugar. Toda feita de fogo e pólvora, com um dedo sempre no gatilho." - Jin 
A obra também aborda temas muito pertinentes na atualidade como governos opressores, preconceito contra minorias e machismo. A protagonista é muitas vezes subestimada por ser mulher, mesmo com sua pontaria sensacional com um revólver, tendo inclusive que se vestir de garoto em grande parte do tempo, para evitar o problemas enquanto viaja pelo deserto. E mesmo que ela seja uma personagem forte desde o início, acompanhamos seu amadurecimento na história, à medida que ela entra em contato com realidades diferentes daquelas em que foi criada. A história progride de uma forma que vamos aos poucos conhecendo mais da mitologia dos djinns e sua importância na trama, assim como a revolta que se organiza contra o governo tirano do sultão, fomentada por um dos príncipes do reino, e em que Amani se vê irremediavelmente envolvida.
"Quase havia esquecido a sensação de ser uma garota em Miraji. Eu desaparecia na multidão, mas de um jeito diferente de quando me vestia de garoto. Não porque era igual a todos os outros, mas porque como garota eu não importava." - Amani Al'Hiza
Embora nada de totalmente surpreendente tenha acontecido nesse volume, afinal é só o primeiro da trilogia e responsável por nos introduzir nesse mundo desértico, alguns detalhes da trama me surpreenderam por sair do lugar comum, mas não posso revelar mais que isso sem estragar a surpresa para vocês. As descrições do deserto e sua mitologia são maravilhosas, nos fazendo imergir em um mundo de areia e magia, sem tornar o livro cansativo nem uma vez.

Por fim, a edição do livro é excelente, com uma capa maravilhosa em detalhes dourados e um acabamento ótimo. Sem contar que o lançamento por aqui ocorreu logo após o lançamento nos EUA, nos poupando de uma longa espera pela tradução. O segundo volume, A Traidora do Trono, foi lançado recentemente que e já está à venda por aqui e em breve trarei a resenha para vocês.


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Um comentário:

  1. A Rebelde do Deserto é maravi neh?eu fiquei enrolando pra ler ele, e depois qnd acabei eu só pensei "que burra eu fui", eu tb AMEI a Amani, já tá no meu TOP TOP de personagens femininas favoritas ♥ , e ela e Jin são lindos, eu gostei muito da autora não ter dado um foco gigante no romance, porque assim o espaço que teve, foi pra evolução da Amani ♥

    Já to louca pelo segundo, adorei a resenha Paula! Foto linda ♥

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