{Resenha} Corações Feridos

quarta-feira, 8 de março de 2017


"Hephzibah e Rebecca são irmãs gêmeas, mas muito diferentes. Enquanto Hephzi é linda e voluntariosa, Reb sofre da Síndrome de Treacher Collins — que deformou enormemente seu rosto — e é mais cuidadosa. Apesar de suas diferenças, as garotas são como quaisquer irmãs: implicam uma com a outra, mas se amam e se defendem. E também guardam um segredo terrível como só irmãos conseguem guardar. Um segredo que esconde o que acontece quando seu pai, um religioso fanático, tranca a porta de casa. No entanto, quando a ousada Hephzibah começa a vislumbrar a possibilidade de escapar da opressão em que vive, os segredos que rondam sua família cobram-lhe um preço alto: seu trágico fim. E só Rebecca, que esteve o tempo todo ao lado da irmã, sabe a verdadeira causa de sua morte... Hephzi sonhara escapar, mas falhara. Será que Rebecca poderia encontrar, finalmente, a liberdade?"

"Hoje eles tentaram me fazer ir ao funeral da minha irmã. E eu, por fim, tive que ceder." - Rebecca
Como foi difícil começar a resenha sobre esse livro. Corações Feridos, traz consigo uma carga emocional muito intensa. Duas irmãs. Gêmeas. Que dividem segredos assustadores. Assim somos apresentados ao enredo que conduz uma história que choca ao mesmo tempo em que retrata a realidade de tantas famílias que se escondem atrás de muros perfeitos, mas que por dentro não passam de paredes que choram em silêncio.
"Então enterrei a verdade no meu quarto, escondi-a atrás da parede, mas ela chora à noite, ela chora e sofre e pede amor. Todos pedem." - Rebecca

Hephzibah e Rebecca, embora sejam gêmeas, são bem diferentes uma da outra. Onde Hephzi é falante e harmoniosa, Reb é calada, insegura e assustada. Não é para menos. Hephzi é linda, perfeita e todos a adoram. Já Rebecca nasceu com a Síndrome de Treacher Collins, que tornou seu rosto enormemente deformado, atraindo olhares curiosos e risadas cruéis por onde passa.

No entanto, as duas dividem a mesma angústia de viver em uma casa na qual são verdadeiras prisioneiras. Roderick, “o Pai”, como as meninas se referem a ele, é um fanático religioso. Mentiroso, vil, cruel, são características que se encaixam perfeitamente ao patriarca. Ele é o responsável por fazer de suas vidas um verdadeiro inferno. No trasladar das palavras ficamos cada vez mais chocados com quanta maldade pode habitar o interior de um homem.
"O que você quer de Natal, Rebbeca? Um rosto novo?" - Roderick
Uma diferença crucial separa ainda mais as duas irmãs: Hephzibah está morta. E é esse acontecimento que rege a história, motivando o leitor a descobrir o que a levou a esse final trágico.

Os capítulos alternados entre as vozes das irmãs, intercalam passado e presente, onde Hephzi narra sua própria vida antes de morrer; e Reb se encarrega do presente conturbado, enquanto, junto ao leitor, vai montando as peças do quebra-cabeça da misteriosa morte da irmã.

Uma história comovente e tocante, que vai ficar com você por muito tempo depois que fechar o livro.



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