{Resenha} Todos, nenhum, simplesmente humano

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Todos, Nenhum, Simplesmente Humano

Sinopse
""A primeira coisa que você vai querer saber sobre mim é: sou menino ou menina?” Riley Cavanaugh é um ser humano com muitas características: perspicaz, valente, rebelde e… gênero fluido. Em alguns dias, se identifica mais como um menino, em outros, mais como uma menina. Em outros, ainda, como um pouco dos dois. Mas o fato é que quase ninguém sabe disso. Depois de sofrer bullying e viver experiências frustrantes em uma escola católica, Riley tem a oportunidade de recomeçar em um novo colégio. Assim, para evitar olhares curiosos na nova escola, Riley tenta se vestir da forma mais andrógina possível. Porém, logo de cara recebe o rótulo de aquilo. Quando está prestes a explodir de angústia, decide criar um blog. Dessa forma, Riley dá vazão a tudo que tem reprimido sob o pseudônimo Alix."
O que achei
Discutir sobre identidade de gênero ainda é um grande tabu na sociedade, mas a cada dia surgem mais obras que abordam essa temática, demonstrando que o mundo não é binário como nos fizeram acreditar por tanto tempo. Em seu livro de estreia, Jeff Garvin aborda de forma delicada e real a questão da fluidez de gênero, com uma narrativa genial que consegue retratar um personagem muito humano, não atrelado aos rótulos de gênero.

Gênero fluido ou genderfluid: pessoa que se identifica gênero fluido é aquela que não pertence exclusivamente a um único gênero (modelo binário). Às vezes se identifica com o feminino, outras vezes com o masculino, e outras, ainda, com uma combinação de ambos ou nenhum.

Todos, Nenhum, Simplesmente Humano

Riley tem um senso de humor sarcástico, gosta de bandas punks dos anos 80, opta pelo veganismo e às vezes se identifica mais como uma menina e outras mais um garoto. Seu sexo designado no nascimento não é mencionado na história, e a forma como o autor escreve para não revelar essa informação é genial, e acredito que não tenha sido uma tarefa fácil, com todos os pronomes e adjetivos masculinos e femininos que utilizamos diariamente sem notar.
"Enfim, não é tão simples. O mundo não é binário. Nem tudo é preto e branco, sim ou não. Às vezes, não é um interruptor, mas um ponteiro. E nem é um ponteiro que você consegue controlar, ele vira sem sua permissão ou aprovação." - Riley Cavanaugh
O bullying por ser diferente do padrão é constante na vida de Riley, e o fato de não ter se assumido para os seus pais, especialmente para o pai deputado que está na corrida eleitoral para a reeleição no Congresso americano, criam uma atmosfera de medo e inadequação que nos fazem refletir sobre como tratamos as pessoas à nossa volta. As dúvidas de Riley por ser como é, suas interações com colegas de escola e os pais e até mesmo com sua terapeuta são todas muito bem estruturadas, fazendo com que Riley questione seus conceitos e também aprenda a diferenciar as pessoas intolerantes daquelas que simplesmente não sabem lidar com sua situação por não terem informações suficientes sobre ela.
"Quanto a ter dúvidas se é normal ser quem você é, isso não é um sintoma de doença mental. É um sintoma de ser uma pessoa." - Dra. Ann.
Inclusive, considero este tipo de obra essencial para a disseminação de informações e muito importante no contexto atual, ainda mais por atingir um público jovem ainda em formação de seu senso crítico e até mesmo da compreensão de sua própria identidade. Mas como ainda vivemos em uma sociedade intolerante e preconceituosa, a publicação deste livro também é corajosa e inovadora (pontos para a Plataforma 21). Espero que num futuro próximo as questões de gênero e sexualidade possam estar inseridas na literatura não só como um nicho específico, mas também como parte de toda e qualquer história, representando a diversidade existente em nosso meio.

Quanto à edição brasileira, a ideia de não colocar o título na capa, seguido da divulgação do lançamento com a campanha #NãoJulguePelaCapa, foi sensacional, e o recorte vazado ficou lindo. A minha cópia é a prova antecipada de divulgação, portanto esse detalhe não pode ser notado na foto, mas assim que tiver um exemplar final em mãos atualizo por aqui.

Se alguém já leu e quiser comentar sobre, ou tiver algum título semelhante para indicar nos comentários, fiquem à vontade. Adoro conhecer obras do gênero e sempre que ler algo interessante vou compartilhar com vocês.

Nota
 Sentimento
Notacórnio

Paula

Comente com o Facebook:

Nenhum comentário:

Postar um comentário